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Glúten e doenças autoimunes

Queridos, mais um post excelente do meu endocrino Doutor Barakat, para quem tem dúvidas sobre o glúten: Glúten e doenças autoimunes

” A inflamação, de forma geral, é um processo em que os mecanismos de defesa do organismo atuam contra uma infecção. Mas, às vezes, o sistema imunológico causa inflamação sem que haja uma infecção realmente, isso por conta de micro-organismos que ele considera estranhos. E é essa reação que os alimentos inflamatórios podem desencadear. Alguns efeitos nocivos são fáceis de perceber, como ganho de peso, desconforto ou inchaço abdominal – danos que, a princípio, podem nem parecer tão graves assim. Os alimentos inflamatórios têm sido associados a sérios problemas de saúde, doenças crônicas como câncer, artrite, diabetes, obesidade e problemas no coração. Com o processo de industrialização, os alimentos passaram a ser carregados de aditivos como corantes, agrotóxicos e outras substâncias químicas.

O problema maior em relação à estas substâncias inflamatórias é que vamos sofrendo as consequências e só detectamos a presença de alguma intolerância quando já é “tarde demais”. Ou seja, toda a vez que a pessoa comer algo que tenha o glúten, que é o tema do texto de hoje, entre os ingredientes, ela será vítima de uma reação que danificará o forro do intestino delgado e os nutrientes não serão absorvidos apropriadamente, o que desencadeará em reações físicas extremas. Entendam o seguinte: nosso corpo humano tem aproximadamente um trilhão de células humanas na nossa composição corporal, e mais de cem trilhões de bactérias. Estima-se que tenhamos de um a um quilo e meio de peso em bactérias no nosso organismo, portanto seria imprudente não levar em consideração a atividade metabólica que elas exercem em nosso corpo e metabolismo. O nosso intestino, depois do cérebro, é o que recebe maior número de terminações nervosas; assim sendo, tratar seu intestino é cuidar de sua microbiota intestinal e fundamental para se obter e manter sua saúde na sua plenitude máxima. A nossa medicina copia da medicina americana, diferentemente da medicina alemã e chinesa, ou seja, elas não dão nenhum valor para isso, e é exatamente por esse problema que seu gastro só sabe prescrever omeprazol e mandar fazer endoscopia e colonoscopia. E isso não afeta só o intestino quando é relacionado ao glúten, mas também tem a ver com a intolerância à lactose que causa o mesmo efeito em nosso organismo!

Os sintomas para intolerância ao glúten variam, pois tem uma apresentação clínica variada, que abrange desde sintomas leves e pouco específicos até uma síndrome clássica de má absorção intestinal em pacientes desnutridos. O glúten, quando ingerido, chega ao intestino estimulando a produção de anticorpos, principalmente as imunoglobulinas, que se atrofiam e deixam de desempenhar a função de captação dos macro e micronutrientes. Ou seja, os que não foram absorvidos são eliminados junto com as fezes, e o organismo fica privado de nutrientes básicos, tornando a pessoa desnutrida com o tempo. Está vendo como é coisa séria?! Se formos falar em doença celíaca, digo que ela comumente se manifesta durante a infância – o que torna o tratamento tão difícil -, e existem alguns fatores que predispõem as pessoas a se tornarem celíacas, mesmo na idade adulta. A herança genética afeta parentes de primeiro grau em 30% dos casos, e ocorre com mais frequência em mulheres do que em homens. Você pode detectar esse problema se observar a ocorrência de diarreia crônica, fator comum em 70% dos casos. Ir ao banheiro até quatro vezes por dia e observar características de má absorção nas fezes, já é meio caminho andado para você ir ao médico. Perder peso também é normal, mas isso varia de acordo com a falta de apetite associada à doença e se ocorre má absorção dos alimentos. Muitos dos pacientes apresentam anemia, por causa da deficiência de ferro e ácido fólico que colaboram para a redução da massa mineral óssea dessas pessoas. Nas últimas quatro décadas, inúmeros trabalhos têm revelado que o glúten poderá estar implicado em outras doenças autoimunes. De fato, foi constatado que pacientes com Doença Celíaca têm um risco aumentado de outras doenças autoimunes, tais como diabetes tipo 1 (DT1), doenças autoimunes da tiroide (como a tireoide de Hashimoto), psoríase urticária, síndrome de Sjögrene nefropatia IgA, entre outras. Importante salientar que essa inflamação gerada pelo glúten proporciona ambiente oportuno para instalação e desenvolvimento/agravamento de doenças autoimunes. Por essa razão, ao meu entender, a primeira ação alimentar quando se manifestar qualquer doença é a imediata retirada de alimentos potencialmente alergênicos e intolerantes, como o glúten e a lactose. Além disso, há alguns trabalhos a implicarem diretamente o glúten (ou algumas das suas frações proteicas, como as gliadinas) que são confundidas como agentes externos alergênicos e o organismo erroneamente desenvolve anticorpos para atacar essa proteína, mirando em seu próprio organismo por ter confundido suas células como na artrite reumatoide, síndrome de Sjögren, esclerose múltipla, psoríase, nefropatia IgA67, hashimoto e DT1.”

 

Por Doutor Mohamed Barakat
CRM 68874

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