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Lactose e doenças autoimunes

Já falamos sobre o glúten, agora é a vez da lactose! Mais um post super esclarecedor do meu querido endocrinologista Doutor Mohamed Barakat:

“Se o glúten pode desencadear doenças autoimunes, imagine a lactose! As informações, você que me segue há mais tempo, já conhece. Cerca de 70% de adultos têm algum sintoma de intolerância após consumir leite de vaca ou derivados. Em países como o Japão e alguns do continente africano, todos os habitantes com mais de 80 anos têm algum grau de intolerância. Essa “doença” ocorre porque as pessoas nascem sem uma enzima (lactase) que quebra a lactose, o açúcar do leite, ou porque deixam de produzi-la ao longo da vida, seja por envelhecimento ou por lesões no intestino. A gravidade dos sinais depende da quantidade do alimento ingerido e de quanta lactose cada pessoa é capaz de suportar, ou seja, elas podem aparecer logo após a ingestão do leite ou depois de horas. Mas os sintomas típicos ficam entre dores abdominais, sensação de inchaço no corpo, flatulência, diarreia, e vômitos. Mas atenção! Alguns sintomas podem não estar relacionados à intolerância a lactose. Alergia à caseína, síndrome do intestino irritável, doença celíaca, doença de Crohn, colite ulcerativa, alergias alimentares diversas e endometriose estão entre às disfunções que apresentam um quadro de sintomas similar ao da intolerância à lactose.

Portanto, aqui vão duas valiosas dicas: se você suspeita de intolerância ao leite, deixe de consumi-lo por uma semana, bem como seus derivados. Se os desconfortos desaparecerem, o motivo foi descoberto! Todavia é bom passar por uma consulta médica e entender com mais precisão o que acontece com o seu corpo, pois como já disse antes, podem ser inúmeras razões relacionadas à rejeição da lactose pelo seu organismo. Agora vocês me perguntam, mas como vamos tirar o leite e derivados da dieta? Ele não é essencial? Bom, vou explicar: o corpo humano é incapaz de absorver o cálcio do leite da vaca, pois ele também eleva o ácido do Ph. Isso implica na proteção do próprio corpo, que usa o cálcio que já temos para combater o ácido altíssimo do leite. Ou seja, perdemos cálcio e não o ganhamos! Ao contrário do que a maioria pensa, o leite causa mais prejuízo do que benefício à saúde. Podemos exemplificar com os problemas respiratórios (rinite, bronquite, asma e sinusite) que são comumente associados ao consumo desses alimentos. Prisão de ventre, gastrite, amidalite, cansaço, dores de cabeça, enxaqueca, dermatites e acne também são sintomas frequentes! Esse alimento contém proteínas muito alergênicas, que são difíceis de serem digeridas e que provocam uma alergia denominada tardia, devido ao aparecimento dos sintomas após 3 dias à ingestão do leite e/ou derivados. Essa reação alérgica causa uma inflamação no nosso organismo e sabe o que isso provoca? Doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e outras que têm caráter inflamatório. Ou seja, quanto mais você ingere o leite e derivados, mais as chances de contrair um desses males aumentam! Foi provado que o leite pode aumentar as perdas de cálcio nos ossos e que o corpo humano é incapaz de absorver o cálcio do leite da vaca. O leite maximiza a acidez do Ph do corpo humano, que por sua vez desencadeia uma correção biológica natural. Resultado: já que o maior armazém de cálcio do corpo é o esqueleto, adivinha quem supre as carências de cálcio geradas pelo consumo de leite? Sim, o cálcio de nossos ossos! Uma vez expelido dos ossos para equilibrar o pH, o cálcio é expulso pela urina, causando um efeito surpreendentemente contrário ao que é vendido pelas indústrias leiteiras!

Vários estudos epidemiológicos têm associado o consumo de leite bovino à diabetes tipo 1 (DT1) em especial quando a exposição a este alimento se dá nos primeiros meses de vida. A evidência parece ser consistente, uma vez que várias revisões da literatura confirmaram esta relação (em especial quando a exposição é precoce e quando os indivíduos apresentam os haplotipos HLA susceptíveis). Foram propostos alguns mecanismos para explicar esta associação, como é o caso da proteína presente no soro de leite bovino, mas não existente no soro de leite humano, que pode ter uma adaptação molecular com a proteína humana glicodelina, pois o consumo precoce de leite bovino (numa altura da vida em que a permeabilidade intestinal está aumentada) poderia resultar na produção de anticorpos contra esta proteína humana, que é responsável pela modulação dos linfócitos T e como tal, em crianças geneticamente predispostas, levar à autoimunidade. Isso também ocorre quando se fala de uma proteína presente no soro de leite bovino (ASB), que também se adapta molecularmente entre sequências desta e de aminoácidos de proteínas próprias. Em um trabalho de 1998, verificou-se que 100% dos pacientes, recentemente diagnosticados com DT1, apresentavam anticorpos contra ASB, onde a maioria estava direcionada para um determinado péptido da ASB. Para a pesquisa, ficou sobre observação um grupo de crianças com predisposição genética para desenvolver DT1 e verificaram existir na infância uma maior resposta imunitária humoral para várias proteínas existentes no leite bovino (e presentes nas fórmulas infantis lácteas, incluindo a ASB) no subgrupo que mais tarde veio a desenvolver a doença.”

Por: Doutor Mohamed Barakat

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